domingo, 29 de agosto de 2010

Aprenda com os mais velhos

Não conheço o síndico do prédio onde moro porque mudei-me a pouco tempo e ainda não tive a oportunidade de conhecê-lo. Mas eu conheço que o conhece, e sabe das coisas. Não faço a mínima idéia de como é o síndico. Gordo, magro, alto, baixo, novo, velho, negro, branco, azul, careca, com rastafári.

Minha maior referência do síndico são os avisos que ele coloca no elevador – que tem dois suportes de aviso, de tantos avisos que ele tem para dar. Geralmente esses avisos são decorados com fotos buscadas no Google, provavelmente. Muitas vezes ele não se dá ao trabalho de tirar coisas desnecessárias da imagem. Algumas vezes coloca os balões do Word no papel, perto dos personagens e escreve frases dentro, dando assim mais vida aos personagens. Qualquer dia, quando conhecê-lo, vou oferecer meus serviços de InDesing para ele.

Hoje soube outra coisa sobre o síndico. Ele torce pelo co-irmão e decidiu parabenizar, via avisos de elevador, os torcedores dos times que vencessem algum campeonato.

Dito e feito, na sexta-feira seguinte a final da Libertadores havia uma singela homenagem ao time ganhador da Taça Libertadores da América – lamentável eu não ter visto para colar um adesivo do Grêmio em cima. Mal sabia ele que a homenagem e o artefato de zoação com gremistas duraria pouco, muito pouco.

Na noite daquele dia meu vizinho, gremista, entrou no elevador comendo um suculento cachorro-quente. Ao ver a bandeira do time do aterro, não exitou. Segundo imagens captadas pela câmera de segurança, o torcedor passou o dedo no molho do cachorro-quente e limpou na bandeira fixada na parede do elevador.

No sábado, quando entrei no elevador tinha um novo aviso assinado pelo síndico. Nele, havia o pedido de que as crianças maiores de idade não rabiscassem ou sujassem os avisos. Lembro que até fiquei me perguntando “será que alguém riscou alguma coisa?”.

Torcedor que me leu até aqui, tenha isso como exemplo. É simples. Embora sejamos pessoas limpinhas, sempre há alguma forma de sujar ou depredar coisas que nos remetam a desagradável experiência de ter que agüentar a lembrança do time nascido da rejeição.   

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